
O que parecia ser um assalto audacioso na noite da última quinta-feira (07), nas proximidades do Condomínio Damha, ganha contornos de um enredo de suspense e levanta suspeitas de uma suposta “armação”. O roubo de R$ 833 mil em espécie, que seriam entregues a um ex-prefeito da região de São Mateus, está sob a lupa devido a comportamentos estranhos e provas que contradizem a narrativa inicial das vítimas.

A “Emboscada” no Damha a versão oficial relata que um Fiat Mobi preto interceptou uma Toyota SW4 após uma perseguição onde o motorista da caminhonete pensou tratar-se de um condutor embriagado. No entanto, informações de bastidores e relatos de moradores do Condomínio Damha revelam um detalhe crucial: o Fiat Mobi já estava parado na porta do condomínio há mais de 40 minutos, aguardando o momento exato da saída do veículo. Um print de um morador confirma a presença do carro suspeito, o que derruba a tese de uma abordagem aleatória e reforça a ideia de um crime minuciosamente premeditado.

“Print do grupo condomínio dumas do moradores”
Fontes próximas à investigação e imagens de monitoramento trazem à tona o comportamento dos envolvidos. O motorista da SW4, no momento da entrega da vultosa quantia, demonstrava um nervosismo fora do comum — andando de um lado para o outro e consumindo café excessivamente, acompanhado de um jovem que também estava no local.
Por outro lado, o que mais choca é a extrema tranquilidade de Bruno Lago, apontado como o responsável pelo montante. Ao ser contatado, Lago — que afirmou estar em viagem — demonstrou uma calma incompatível com quem acaba de perder quase um milhão de reais. Em conversas, ele teria tentado desviar o foco da investigação, apontando culpados sem provas, o que levanta a hipótese de uma tentativa de incriminar terceiros para esconder a própria participação.
A grande dúvida que paira no ar e que a Polícia Civil deverá responder é: Houve um “auto-roubo”?
Por que Bruno Lago demonstrou tamanha indiferença diante de uma perda financeira tão alta Haveria interesse em não entregar o dinheiro ao seu destino final (o ex-prefeito de São Mateus)?
O motorista e o jovem que o acompanhava estão omitindo a verdade sobre o que realmente aconteceu dentro daquela SW4?
Para que a verdade venha à tona, é imperativo que a Polícia Civil realize a perícia nos aparelhos celulares do motorista, do jovem que o acompanhava e do próprio Bruno Lago. As contradições entre o que foi registrado no Boletim de Ocorrência e as evidências colhidas no local do “cerco” sugerem que o assaltante armado pode ter sido apenas uma peça em um tabuleiro muito maior.
A região aguarda respostas. Afinal, R$ 833 mil não desaparecem no ar sem que alguém muito próximo saiba exatamente para onde as mochilas foram levadas.