A Fatura da Deslealdade: Como a ambição desmedida e o histórico de traições podem custar o Senado a André Fufuca

Blog Maranhão Metrópoles 12/09/2026 Deixar Comentário

André Fufuca, atual Ministro do Esporte. Fonte: JOTA – André Fufuca, atual Ministro do Esporte. Fonte: JOTA /…

Por | Metrópoles Maranhão

Na política maranhense, a lealdade é uma moeda de troca rara, mas a falta dela cobra juros altíssimos. O deputado federal licenciado, presidente do PP no Maranhão e atual Ministro do Esporte, André Fufuca, parece ter esquecido dessa máxima. Conhecido nos bastidores por seu pragmatismo frio e por um extenso currículo de mudanças de lado que desafiam qualquer coerência ideológica, Fufuca agora enfrenta o amargo reflexo de suas próprias escolhas nas pesquisas de intenção de voto para o Senado Federal.

A trajetória recente do ministro é um estudo de caso sobre o fisiologismo. Até pouco tempo atrás, Fufuca era um aliado de primeira hora do bolsonarismo, surfando na onda conservadora e garantindo seu espaço de poder. Contudo, em um movimento de puro oportunismo, não hesitou em mudar de barco assim que os ventos em Brasília sopraram em outra direção, tornando-se ministro do governo Lula e apagando rapidamente os vestígios de sua antiga fidelidade. A transição foi rápida, mas a memória do eleitorado maranhense não é tão curta.

O que chama a atenção, no entanto, não é apenas o seu alinhamento flexível no plano federal, mas a forma como conduz suas alianças estaduais. No Maranhão, Fufuca foi abraçado pelo governador Carlos Brandão — um gestor que vem se destacando pela expressiva entrega de obras, sendo reconhecido como o governador que mais asfaltou estradas na história do estado e que hoje prepara com grande carisma o terreno para seu provável sucessor, Orleans Brandão. Como prova de confiança e parceria, o grupo Brandão entregou a Fufuca e seus indicados o controle de órgãos estratégicos, a exemplo do Detran, para que ele pudesse pavimentar seu projeto político.

A resposta para tamanha deferência? A traição política. Movido pela luxúria do poder e por uma ambição que atropela acordos firmados, Fufuca virou as costas para aqueles que lhe deram musculatura no estado. Mas a fatura política já está na mesa, e o eleitor parece não perdoar quem não tem palavra.

O reflexo nas pesquisas e o risco de ficar sem cadeira

O projeto de André Fufuca de se tornar Senador da República está colidindo com a dura realidade dos números. O eleitor não é mais bobo e tem punido severamente a falta de clareza do ministro. Nas rodadas de pesquisa mais recentes e confiáveis, Fufuca amarga um distanciamento preocupante do topo.

Ele estacionou na faixa dos 15% a 17% das intenções de voto. Os raros levantamentos que o colocam próximo dos 20% são vistos com forte desconfiança nos bastidores políticos, frequentemente associados a manobras encomendadas para inflar um capital político que as ruas desmentem.

A verdade matemática é impiedosa: Fufuca hoje vê as costas de líderes bem consolidados no cenário maranhense. A ex-governadora Roseana Sarney lidera com folga, seguida pela força do ex-prefeito Lahesio Bonfim. O senador Weverton Rocha ocupa a terceira posição, empurrando Fufuca para um amargo quarto lugar, com o Dr. Hilton Gonçalo vindo logo atrás, ameaçando ainda mais a sua posição.

Na tentativa de jogar em todos os tabuleiros, André Fufuca pode terminar o jogo sem nenhuma peça. Ao abandonar o barco de Carlos e Orleans Brandão após usufruir da máquina pública estadual, e ao tentar equilibrar-se entre o conservadorismo de outrora e o governismo lulista de hoje, ele construiu a imagem de um político no qual ninguém confia plenamente. Na política, quem tenta abraçar tudo por vaidade acaba de mãos vazias. Resta saber se o ministro conseguirá sobreviver ao peso do próprio currículo ou se sua cadeira no Senado será apenas mais um delírio de grandeza engolido pela realidade das urnas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *