Caos na Saúde: Enquanto prefeitura assina contrato milionário de medicamentos, povoado de São Domingos do Maranhão tem UBS de taipa e barro

Por Redação Metrópole Maranhão

SÃO DOMINGOS DO MARANHÃO – A gestão da saúde pública no município de São Domingos do Maranhão, sob o comando do prefeito Kleber Tratorzão, virou alvo de graves questionamentos e indignação por parte da população. O contraste entre os expressivos valores empenhados em contratos oficiais e a estrutura física real oferecida aos cidadãos nos povoados expõe uma crise profunda na pasta da Saúde.

Documentos oficiais revelam que a Secretaria Municipal de Saúde realizou um processo de Registro de Preços para a aquisição de medicamentos no valor de R$ 1.868.635,40 (um milhão, oitocentos e sessenta e oito mil, seiscentos e trinta e cinco reais e quarenta centavos). Apesar das cifras milionárias que deveriam garantir farmácias básicas abastecidas e atendimento digno, a realidade nos bairros e na zona rural mostra um cenário de completo desabastecimento e abandono.

O escândalo da “UBS de Barro”

Se na teoria os recursos são de grande porte, na prática a infraestrutura colapsou. Uma das denúncias mais alarmantes que circulam no município aponta para a existência de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) funcionando em uma estrutura improvisada de taipa e barro em um dos povoados da região

Enquanto cidades modernas investem em instalações de alvenaria, climatização e equipamentos de ponta, os moradores da zona rural de São Domingos do Maranhão são obrigados a buscar atendimento médico em uma cabana de barro. A situação levanta um questionamento imediato por parte dos contribuintes: se para onde está indo, de fato, o dinheiro público da saúde?

“A saúde daqui nunca esteve tão pior. A gente vai nos postos e falta o básico, não tem remédio. Daí descobrimos que tem contrato de quase dois milhões de reais rodando, enquanto o povoado tem que se submeter a um posto de saúde feito de barro e vara. É uma humilhação”, desabafa um morador local.Cadê o dinheiro? O mistério do contrato relâmpago

Outro ponto técnico que chama a atenção de analistas e que deve ser investigado pelos órgãos de controle é o período de vigência registrado no extrato do contrato de medicamentos. O documento aponta como data de assinatura o dia 07/02/2025 e data de encerramento o mesmo dia 07/02/2025, constando como “ENCERRADO”.

Esse tipo de registro gera dúvidas sobre a transparência da execução orçamentária: os quase R$ 1,9 milhão foram totalmente liquidados em um único dia? Trata-se de um erro de digitação do Portal da Transparência ou uma manobra contábil? A falta de clareza alimenta ainda mais a desconfiança da população sobre o destino dos recursos sob a batuta do prefeito Kleber Tratorzão.

Diante da gravidade das denúncias – que envolvem desde o sumiço de medicamentos até a precariedade estrutural extrema com a UBS de taipa –, lideranças comunitárias e vereadores independentes cobram uma auditoria imediata nas contas da Secretaria de Saúde. O caso também deve ser levado ao Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA) para apurar possível ato de improbidade administrativa e desvio de finalidade na aplicação das verbas do SUS (Sistema Único de Saúde).

O espaço do blog Metrópole Maranhão permanece integralmente aberto para que o prefeito Kleber Tratorzão, o Secretário Municipal de Saúde e os demais representantes da gestão municipal se manifestem e apresentem esclarecimentos sobre as condições da UBS citada e o andamento dos gastos com medicamentos no município.

O Metrópole Maranhão continuará acompanhando o caso de perto. Se você tem fotos, vídeos ou relatos sobre a situação da saúde no seu povoado, envie para a nossa redação.

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