Por [victor landim ]

[NOME DA CIDADE] – Enquanto mães, pais e alunos da rede municipal de ensino utilizam as redes sociais e canais de comunicação para relatar a constante falta de merenda escolar, os dados do Portal da Transparência revelam uma realidade financeira bem diferente nos bastidores da gestão pública. A Secretaria Municipal de Educação firmou, no fim do ano passado, um contrato milionário destinado exclusivamente ao abastecimento de alimentos para os estudantes.
O documento oficial, assinado em 5 de novembro de 2025, oficializa a contratação da empresa R.M.S Distribuidora Ltda. O valor empenhado impressiona: R$ 1.778.350,40 (um milhão, setecentos e setenta e oito mil, trezentos e cinquenta reais e quarenta centavos).
Com vigência até novembro de 2026, o objeto do contrato é claro: “fornecimento de materiais de consumo para o preparo da merenda escolar”. No entanto, o montante expressivo ainda não se traduziu em pratos cheios para as crianças do município.
Nas últimas semanas, a comunidade escolar tem manifestado forte indignação. Relatos apontam que, em algumas unidades, as aulas estão sendo encerradas mais cedo devido à ausência de refeições, ou que o cardápio tem se resumido a itens básicos e repetitivos, longe do valor nutricional ideal.
“É um absurdo saber que existe quase R$ 1,8 milhão destinado para a comida dos nossos filhos e a gente ter que ouvir que não tem merenda na escola. Para onde está indo esse dinheiro?”, questiona uma mãe de aluno que preferiu não se identificar por medo de represálias.Especialistas em gestão pública apontam que a assinatura de um contrato, por si só, não garante a entrega do produto.
Como o processo geralmente ocorre por meio de Ata de Registro de Preços, a Prefeitura só paga à distribuidora conforme realiza os pedidos de entrega. Se o município não estiver fazendo as ordens de fornecimento ou se houver atrasos nos pagamentos, a empresa pode suspender o envio dos mantimentos.
A disparidade entre o valor contratado e a realidade das despensas escolares deve virar alvo de fiscalização formal. Membros do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) e vereadores da oposição já articulam pedidos de informação para exigir que a Secretaria de Educação apresente as notas fiscais e os comprovantes de entrega dos alimentos referentes a este contrato.
A falta de merenda adequada viola o direito constitucional à educação e à segurança alimentar, o que pode motivar uma representação junto ao Ministério Público Estadual para apurar possível improbidade administrativa por omissão ou má gestão dos recursos públicos.
Nossa reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Educação e com a prefeitura para questionar o motivo do desabastecimento diante do contrato de R$ 1,7 milhão com a R.M.S Distribuidora Ltda. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação da gestão municipal e da empresa contratada.
Nota do editor: Se você é pai, mãe ou funcionário de escola e tem informações sobre a situação da merenda na sua região, envie sua denúncia para nossos canais de atendimento.

