
Recursos federais da educação teriam sido pagos de forma antecipada a empresa sem que nenhuma placa solar fosse entregue; denúncias já chegam ao MPF e TCU.
Os bastidores políticos do município de Grajaú fervem com a revelação de indícios de um suposto esquema de desvio de dinheiro público que pode se tornar um dos maiores escândalos da gestão atual. Na mira das investigações e de órgãos de controle, está uma licitação milionária destinada à instalação de painéis de energia solar nas escolas da rede municipal, custeada com recursos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
O projeto completo está orçado no montante de R$ 28 milhões. No entanto, o que acendeu o alerta vermelho nos órgãos de fiscalização foi a liberação expressiva de R$ 6,5 milhões para a empresa contratada. O detalhe que chama a atenção da opinião pública e dos investigadores: o pagamento teria sido feito de forma antecipada, sem que a empresa executasse qualquer tipo de serviço ou entregasse uma única placa solar no município. Ao todo, a soma de gastos com materiais já ultrapassaria a marca de R$ 15 milhões.
A gravidade do caso aumenta pelo fato de os recursos serem carimbados para a Educação — verba que, por lei, deveria ser aplicada na melhoria do ensino, valorização de professores e construção de novas escolas, mas que supostamente foi desviada para o enriquecimento ilícito de operadores do esquema.
Fontes ligadas aos bastidores do município apontam que os verdadeiros mentores e executores do suposto esquema seriam a Secretária de Finanças do município e o cunhado do prefeito, que hoje atua na cidade sob a alcunha de “primeiro-ministro”. Relatos locais indicam que nenhuma decisão financeira relevante é tomada sem o crivo dele, centralizando as ações da administração.
Enquanto a cúpula familiar opera os cofres públicos, o prefeito Gilson Guerreiro aparenta estar completamente alheio ou de “olhos fechados” para a gravidade dos fatos dentro de sua própria gestão. Focado prioritariamente em travar batalhas políticas contra a oposição, o gestor parece ignorar o colapso administrativo e a suposta formação de quadrilha que se instalou no primeiro escalão de seu governo, envolvendo diretamente seus familiares diretos, como sua própria irmã.
A suposta fraude não ficou escondida. O caso já foi formalmente denunciado ao Ministério Público Federal (MPF), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ecoou na Assembleia Legislativa do Maranhão. Informações de bastidores dão conta de que equipes da Polícia Federal já realizam diligências na região para apurar a fraude e o rastro do dinheiro público.
O blog Metrópole Maranhão tentou contato formal com o cunhado do prefeito — apontado como o suposto operador do esquema e o “prefeito de fato” no município —, mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve nenhuma resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
A população de Grajaú agora se pergunta: até quando o prefeito Gilson Guerreiro fingirá não ver o que acontece debaixo do seu próprio nariz?